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Os Oceanos já possuem 150 zonas mortas
Por Thaís Werneck
A falta de espécies nos oceanos e mares acarreta também desemprego de pescadores; em consequência, fome para muitas famílias. Cerca de 3,5 bilhões de pessoas dependem da pesca como a sua principal fonte de vida, tanto de trabalho quanto de alimento.
O Fundo Mundial da Natureza (WWF) divulgou pesquisa em 2004, mostrando que em 30 anos a população de peixes grandes – como o bacalhau e o atum – caiu 30%; no último século, decresceu 90%. Em 1970, as embarcações pesqueiras tiravam do mar cerca de 3 milhões de toneladas; já em 2000, 950 mil.
Apenas 0,5% da zona marítima é protegida, contra 12% da zona terrestre. Este dado preocupa os órgãos de preservação ambiental.
De acordo com o professor de filosofia da UnB, Ubirajara Calmon, na Grécia antiga a divinização dos oceanos se deu pela vontade das pessoas de desbravar os mares. “O valor da luta humana ao dominar a natureza intrigava pela beleza e desafios” diz o professor.
No folclore, as sereias, seres demiúrgicos – ou seja, metade humana e metade deusa – representam mistério e desafio do mar ao homem. Segundo Calmon, há um endeusamento das façanhas humanas, tornando-as quase divinas. Na mitologia grega, as sereias representam a mulher-mãe que sintetiza o oceano, meio primordial.
Ubirajara ressalta que as comunidades primitivas, além de preservarem as águas – por acreditarem na sua divindade –, ainda encontravam tempo para ritualizarem isto. Atualmente, a sociedade vive em uma correria insana, divorciada de uma percepção de transcendência das águas.
Para a mitologia grega Oceano é um deus. Várias religiões afro-brasileiras e africanas, como o candomblé, identificam, nos mares, deuses para os quais periodicamente são feitas oferendas. O culto da adoração das águas doces e salgadas – rios, fontes, mares, oceanos – nessas crenças contribui fortemente para sua preservação: sacralizar algo é, necessariamente, elevar algo a um grau superior, o que impõe sua proteção.